FONTE: O POPULAR
Parlamentares de Goiás ampliam gastos nos primeiros seis meses de 2026 em meio a agendas de pré-campanha. Despesa fica proibida nos 120 dias que antecedem as eleições.
Os deputados federais e senadores eleitos por Goiás gastaram R$ 4,1 milhões ao longo do primeiro semestre com recursos bancados pelo Congresso Nacional por meio da cota parlamentar. Esses valores incluem verba para divulgação, além de aluguel de carros e imóveis para manutenção de escritórios políticos, hospedagens e combustível, entre outros. A ampliação dos gastos ocorreu justamente nos meses anteriores ao início da campanha eleitoral, em que a maioria dos parlamentares pretende buscar a reeleição e intensificou as agendas de pré-campanha.
Os detentores de mandato que forem candidatos neste ano têm restrições para usar dinheiro público na divulgação do mandato antes da eleição. Na Câmara, a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP) pode bancar a divulgação da atividade parlamentar, mas a despesa é proibida nos 120 dias anteriores ao pleito para deputados que disputarem a eleição. Esse prazo foi iniciado no dia 3 de junho, desde quando esses gastos registraram intensa queda em comparação com os meses anteriores neste ano.
Antes da queda com o início da limitação eleitoral, os deputados goianos registraram seguidos aumentos nas despesas mensais. Após gastarem R$ 552,8 mil em janeiro, os valores subiram para R$ 582,1 mil em fevereiro, saltaram para R$ 769,3 mil em março e chegaram a R$ 844,6 mil em abril. O maior valor ocorreu no mês seguinte, com R$ 864 mil. Somada, a verba utilizada em junho e julho soma apenas R$ 363 mil, mas os dados da cota parlamentar só são consolidados no Portal da Câmara dos Deputados 90 dias após o mês em que a despesa ocorreu.
Todos os 17 deputados goianos serão candidatos neste ano, sendo 15 à reeleição, enquanto Zacharias Calil (MDB) e Gustavo Gayer (PL) pretendem disputar cadeira no Senado.
A cota para os senadores também prevê ressarcimento para divulgação do mandato, mas veda esse gasto nos 180 dias anteriores à eleição quando o mandatário for candidato. No caso da bancada goiana, Vanderlan Cardoso (PSD) e Wilder Morais (PL) não registraram gastos com divulgação neste ano. Os dois serão candidatos à reeleição e ao governo estadual, respectivamente. Já Jorge Kajuru (PSB), que não será candidato, manteve a conta zerada, sem qualquer utilização do recurso.
Segundo o Portal da Transparência da Câmara, os deputados de Goiás registraram R$ 1,932 milhão em despesas com a cota parlamentar em 2026 para bancar a divulgação da atividade parlamentar, o que representa 48% do total. Na sequência, os maiores valores foram destinados ao aluguel de veículos (R$ 728,7 mil), manutenção de escritório (R$ 651,5 mil) e combustíveis (R$ 549,6 mil).
Ao longo do mandato iniciado em janeiro de 2023, a bancada goiana totalizou, até agora, R$ 27 milhões em gastos da cota parlamentar. A maior parte foi registrada em 2024, quando os parlamentares intensificaram ações por conta das eleições municipais, mas com menor restrição do prazo eleitoral, já que apenas Adriana Accorsi (PT) e Professor Alcides (PL) foram candidatos naquele pleito.
Cada gabinete, seja na Câmara dos Deputados ou no Senado Federal, tem valor mensal de até R$ 46,9 mil na cota para o exercício da atividade parlamentar, que custeia os gastos relacionados ao mandato, como passagens aéreas e conta de celular. Algumas são reembolsadas, como as com os Correios, e outras são pagas por débito automático, como as passagens.
O valor sofre variação entre as bancadas estaduais a depender da diferença de custo das passagens aéreas de cada estado para Brasília. Goiás tem o segundo menor recurso do país, atrás apenas dos integrantes da bancada do Distrito Federal, que têm cota de R$ 41.612,55 por mês. O maior valor é destinado aos representantes do Acre, com R$ 57.359,87 mensais.
Maior gasto
Com o maior montante de despesas pagas com a cota parlamentar, o deputado federal José Nelto (União Brasil) alegou à reportagem que os recursos são necessários para manter as atividades do mandato, principalmente quando há representação em muitos municípios. O parlamentar gastou R$ 282,4 mil apenas nos primeiros seis meses de 2026 e um total de R$ 1,728 milhão em todo o mandato. O menor gasto foi de Daniel Agrobom (PSD), que usou R$ 585,9 mil desde 2023.
“Eu sou deputado de 200 municípios em Goiás e tenho que divulgar todas as minhas ações pela internet e em todos os meios. Nada é de graça. Quem não tem presença em nenhuma prefeitura não gasta nada. Pelo contrário, tem que impulsionar e divulgar o mandato”, aponta José Nelto sobre a maior fatia da verba dedicada à divulgação. “Se não tiver a cota e ficar só com o salário, o deputado não tem como andar, não trabalha, principalmente com a amplitude da representação parlamentar no estado todo”, disse José Nelto.
A restrição para uso da verba em ano eleitoral é definida pelo Ato da Mesa nº 43 de 2009, que define o recurso para custear despesas exclusivamente vinculadas ao exercício do mandato. A lista inclui passagens, telefonia, combustíveis, manutenção de escritório, consultorias e divulgação da atividade parlamentar até quatro meses antes da eleição. A norma também proíbe despesas de caráter eleitoral.
O lançamento da conta em determinado mês não é suficiente para concluir quando o serviço foi prestado, e a análise depende da documentação apresentada pelo próprio parlamentar. As regras internas da Câmara e do Senado permitem a prestação de contas do mandato com verba pública, mas vedam a utilização para bancar a campanha, inclusive o impulsionamento de publicações na internet.
A Justiça Eleitoral admite a divulgação quando se limita à atividade do mandato, mas proíbe a divulgação quando a ação passa a pedir voto, promover candidatura, exaltar qualidades pessoais em tom eleitoral, atacar adversários ou pagar por material de campanha. Nesses casos, o gasto pode ser questionado como propaganda irregular, conduta vedada ou abuso de poder.



